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Política vira poesia nas obras de Willian Kentridge

A música ecoa intensa, alegre e festiva enquanto imagens em movimento percorrem uma tela de 45 metros de comprimento em meio a uma sala escura. Imediatamente somos transportados pra outro mundo, e é impossível não se deixar levar por ele. Vídeo? Teatro? Instalação? Certamente, um grande espetáculo, desses carregado de significado que transbordam os olhos, falam com o corpo e tocam a alma.

Este é o primeiro impacto ao entrar na exposição If We Ever Get to Heaven do renomado artista sul-africano, Willian Kentridge. Eu tive a oportunidade de vê-la de pertinho no EYE Film Institute em Amsterdam. E para quem pretende passear por lá, a exposição fica em cartaz até o dia 30 de agosto de 2015, eu recomendo muito a visita!

A exposição é composta por duas grandes obras do artista – I Am Not Me, the Horse Is Not Mine (2008) e Other Faces (2011) – além de seu novo trabalho, criado especialmente para o EYE: More Sweetly Play the Dance (2015). Acredite, é de tirar o fôlego!

 

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Considerado um dos mais importantes criadores do período pós-apartheid, Kentridge se formou em Belas Artes na Fundação de Arte de Joanesburgo, após concluir seus estudos sobre a política e história Africana, mas foi seu grande interesse pelo teatro que influenciou seu estilo artístico e o levou a se envolver com filme e desenho.

Em seus primeiros trabalhos de animação, ele utilizava a técnica de fotograma, onde ele fotografava seus desenhos feitos com carvão e, logo em seguida, apagava e refazia a cena até criar a ilusão de movimento entre as imagens. Sua intenção era reproduzir a passagem de tempo, assim como os vestígios e as memórias que os acontecimentos nos deixam. Hoje, a técnica de carvão se tornou uma característica de seu trabalho, assim como é estudada por todos os profissionais de animação. No entanto, Kentridge se tornou um artista multimídia de caráter experimental, transitando entre vídeo, filme, desenho, escultura, instalação, teatro, performance e ópera.

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Além disso, suas obras costumam carregar uma intensa carga política e emocional sobre a história de injustiça e opressão na África do Sul, trazendo a tona assuntos polêmicos e questões controversas. De fato, um artista admirável em sua ousadia e criatividade, capaz de nos provocar reflexão e comoção ao tratar temas tão fortes com todo o encanto e toda a poesia.

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