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Entrevista com Kimeric Labs: Game brasileiro no Kickstarter!

Fundada na amizade e alimentada pela paixão, surgiu a Kimeric Labs, um studio independente de game design do Rio de Janeiro, focados em jogos PC.

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Conheça essa galera talentosa e o jogo Satellite Rush, o primeiro grande trabalho da Kimeric que está em processo de desenvolvimento e precisa da sua colaboração para fazer bonito na campanha no Kickstarter!

Nós conversamos com Daniel Ximenes, um dos fundadores da Kimeric Labs e ele nos contou como a empresa surgiu, quais são as dificuldades de iniciar um empreendimento, dicas para quem quer ser um game designer e sua perspectiva do mercado de games no Brasil. Confere aqui:

Conte-nos um pouco sobre a Kimeric Labs e como a empresa surgiu.

Não oficialmente, a Kimeric estava na minha cabeça e do Rafael Barçante e do Pedro Silvério desde os tempos de faculdade em que trabalhamos juntos nas matérias.

Quando concluímos a faculdade eu e o Rafael oficializamos a idéia, e tentamos duas vezes reunir uma equipe bacana.

A primeira vez não deu muito certo, mas um dos que convidamos pra Kimeric (que nem tinha nome ainda), o Rodrigo Coelho, agora é fundador do SplitPlay – uma plataforma de venda de jogos independentes produzidos na américa latina –, e estamos ajudando um ao outro com várias coisas, então acabou sendo uma parceiria boa, independente de ele estar produzindo jogos com a gente.

Na segunda vez nos encontramos com o Nicholas Passy, o André MacDowell e o Antonio Ibrahine no Belmonte do Jardim Botânico. Algumas cervejas e empadas depois, o Nicholas já tinha rabiscado algumas idéias de jogo nos guardanapos (que eu tenho até hoje), e o embrião da equipe já existia.

Trabalhamos pela primeira vez juntos em um Ludum Dare – um evento mundial online onde os participantes são convidados a submeter jogos que tenham feito em 48 horas (na competição) e 72 horas (no Jam) –, com uma equipe um pouco maior e falhamos miseravelmente em concluir o jogo em 72 horas, mas ele deixou na equipe a semente do projeto no qual estamos trabalhando agora e uma vontade grande de aprender e evoluir. Foi tudo que a gente precisou pra começar a tratar a Kimeric como um projeto de vida.

Como é a experiência de iniciar um empreendimento? Quais são as principais dificuldades?

game1Iniciar um empreendimento é simplesmente fantástico, mas também é muito estressante. É entrar em uma jornada onde você não sabe pra onde você tem que ir.

Você só tem uma bússola e ela aponta mais-ou-menos, às vezes, nos dias bons, meio balançando, pro seu objetivo – a sua paixão. Só que entre você e o seu objetivo – que no começo costuma ser bem confuso – tem vários obstáculos, barrancos e se você sair andando em linha reta que nem um louco você vai quebrar a cara.

A pior parte é que sempre tem uma pessoa bem intencionada pra te falar que vai dar tudo errado. Todo mundo acha que sabe o que é melhor pra você e pra sua empresa. O tempo inteiro. É só começar a fazer algo que saem os “especialistas” do armário. Na maioria das vezes é “esquece isso e vai procurar um emprego porque o mundo não funciona assim”. Outras vezes são pessoas com experiências ruins que tentam te infectar com o pessimismo delas. Elas sempre acham que vivem no “mundo real”.

Mas às vezes, é claro, vão vir pessoas te falar como as coisas funcionam no momento – elas também gostam de usar a expressão “mundo real”, e às vezes é difícil diferenciar das anteriores. Com essas pessoas você tem muito o que aprender, sempre, porque elas sabem uma ou duas maneiras sobre como passar por aquele obstáculo que você vai encontrar lá na frente.

E é aí que você começa a entender o que faz a sua paixão ser o que ela é, aprendendo o que é e o que não é negociável pra você. Você vai acertando a sua bússola.

As principais dificuldades?

Eu podia dar a resposta fácil e falar que é ‘a falta de dinheiro’, mas eu acho que no começo de um empreendimento existem coisas muito mais importantes.

Acho que a parte mais difícil é achar gente motivada e comprometida – e é bom que você identifique quem elas são rápido. Você não quer a pessoa que está ali mais-ou-menos com você, mas que na hora de cumprir um prazo e virar uma noite vai se afastar e dizer “Não estou sendo pago pra isso”.

Empreender na maioria das vezes significa que você vai trabalhar durante algum (bom) tempo sem dinheiro, e isso vai afastar de você bons profissionais tão apaixonados quanto você. Mas por outro lado vai te dar a vantagem de afastar de vez as pessoas que só estão interessadas no dinheiro. Isso te ajuda a selecionar seus parceiros e sócios.

Eu acho que o que faz uma boa empresa e um bom produto é uma boa equipe, e a boa equipe não é formada por pessoas que levantam da cama de manhã pensando “vou lá ganhar o meu pão”. A boa equipe é a que levanta de manhã e pensa “vou lá porque eu quero que esse projeto fique foda”, a equipe que é tão dona do projeto quanto a empresa.

Eu não estou dizendo que todo mundo que quer dinheiro é descompromissado! Ter a possibilidade de tirar o problema do dinheiro da cabeça das pessoas ajuda elas a se focarem no produto e na paixão ao invés de ficar se preocupando com pagar as contas no fim do mês. Isso é fantástico.

Como é o processo de criação da equipe?

Ainda estamos encontrando o processo ideal da Kimeric. Nós tentamos novas melhorias a cada iteração do projeto, e mudanças maiores sempre que achamos necessário.

É difícil achar a medida porque fazer jogos é partes iguais arte, programação e design, e temos tudo isso na nossa equipe, o que implica em vários modelos de pensar diferentes.

Quanto ao processo de conceituação, cada projeto começa de um lugar diferente. Podemos ter uma ideia para um tema que gostaríamos de explorar, uma mecânica de jogo que nos parece interessante ou até uma história que queremos contar.

A partir da fração de idéia que temos nós começamos a pensar em fazer todas as partes do jogo funcionarem como uma coisa só. Se começamos pelo enredo, por exemplo, pensamos em que regras do jogo vão fazer o jogador se sentir de uma determinada maneira que convém à história, que arte vai inspirar esse sentimento e vamos construindo a partir daí.

Quais profissionais e trabalhos na sua área vocês tem como referência?

Falar de profissionais de referência na nossa área de trabalho é muito difícil, porque a equipe que desenvolve é muito plural. Temos artistas, um músico, programadores e designers.

Como um estúdio independente, admiramos muito o trabalho do Edmund MacMillen e do Tommy Refenes da Team Meat. Eles são os desenvolvedores do Super Meat Boy e de um dos jogos que temos como referência pro Satellite Rush, Binding of Isaac.

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Mas eles são só dois de muitos, e eu não arrisco me posicionar pelo resto da equipe hahaha.

Pessoalmente, como profissional de game design e roteiro, não posso deixar de citar o trabalho de Hideo Kojima, roteirista e designer da série Metal Gear, e mais recentemente o brilhante Hidetaka Miyazaki, que me tira noites de sono sem fim com a série Souls da From Software (Demon’s Souls, Dark Souls e Bloodborne).

Qual a visão de vocês sobre o mercado de games no Brasil? Quais são as perspectivas e os desafios?

O mercado é bastante embrionário, mas esse ano ele está muito agitado. Tivemos vários lançamentos de peso da indústria nacional nos últimos meses. Chroma Squad da Behold Studios, Odallus da Joymasher, Toren da Swordtales, todos esses são jogos brilhantes – posso atestar como jogador e como desenvolvedor, pois joguei os três.

Enfileirados para o lançamento agora estão o A Lenda do Herói da Dumativa, que está prometendo muito, o Horizon Chase da Aquiris que é uma homenagem aos jogos de corrida antigos… Eu podia ficar listando todos os jogos bacanas que estão sendo produzidos aqui e certamente ainda ia me esquecer de alguns. Temos muita gente boa trabalhando.

Porém, jogos ainda são algo mal visto por uma parcela muito grande da sociedade. È só observar o quanto tentam colocar a culpa em jogos por mal desempenho acadêmico, falar que é coisa de criança e às vezes até responsabilizar por crimes de assassinato.

Mesmo com isso tudo, o público brasileiro, em 2012, já era o 4º maior consumidor de jogos do mundo. Agora confesso que não sei em que posição estamos.

Felizmente as coisas parecem estar progredindo. Já somos considerados cultura – a despeito das declarações anteriores de nossa ministra Suplicy –, podemos entrar no programa da Lei Rouanet de Incentivo a Cultura, que deixa que doem dinheiro pra nós como projeto cultural abatendo do imposto de renda, e o governo está em polvorosa com o crescimento desse setor da indústria mundial.

São passos de formiga, mas estamos abrindo espaço.

Quais são os planos da Kimeric Labs? Onde almejam chegar?

 Primeiro queremos nos estabelecer como empresa e fazer com que a Kimeric pague as nossas contas ao invés de nós pagarmos as dela.

A partir daí queremos começar a subir a qualidade e complexidade dos nossos jogos cada vez mais, ao mesmo tempo que damos espaço pra que nossa equipe se desenvolva profissionalmente.

game5Depois, o céu é o limite. Vamos mirar cada vez mais alto, o máximo que pudermos, tomando sempre cuidado pra não comprometer nossa liberdade criativa nem os nossos profissionais.

Não vou mentir: quero que um dia sejamos uma empresa com orçamento o suficiente pra fazermos o jogo que quisermos, no nível de uma empresa AAA (é assim que chamamos no mercado de jogos empresas que tem muito dinheiro e desenvolvem jogos com tecnologia de ponta), como a Blizzard ou a Naughty Dog. Isso seria fantástico.

Que conselho vocês dariam a quem deseja trabalhar com games?

 Novamente, não me atrevo a responder pela equipe.

O meu conselho é: transpire. Existem muitos aspirantes a desenvolvedor de jogos com ótimas idéias na cabeça mas preguiçosos ou inseguros demais pra começar a desenvolvê-las.

Se você quer ver o seu jogo no mundo, se torne uma pessoa de valor pra sua própria equipe. Escolha uma especialização – arte, música, roteiro, programação, design – e pratique, estude, faça sozinho até você ficar bom.

Não ache que só porque você tem uma boa idéia você pode se dizer game designer.

Sobre o game Satellite Rush, conte-nos um pouco sobre ele. Qual é o estágio atual do projeto?

O Satellite Rush é o nosso primeiro grande projeto.

Nele você controla um trabalhador de escritório comum que foi abduzido e jogado em um reality show gladiatório em uma arena espacial chamada Satélite Moebius. Te deram uma arma e falaram “A saída fica no final do corredor”.

O jogador tem que passar pelos corredores do satélite atirando em alienígenas agressivos, robôs de limpeza, e tudo isso enquanto ele agrada uma platéia de criaturas de todos os confins da galáxia. Se ele conseguir fazer uma boa performance, a platéia pode jogar itens pra ajudar ele – armas novas, armaduras -, mas se não gostarem vão começar a vaiar e atacá-lo.

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Ao final de cada fase, o jogador enfrenta um chefão alien, e ele é assistido por uma platéia especial: os patrocinadores do evento. Se ele conseguir derrotar o chefe, ele pode dedicar a vitória a um dos três patrocinadores – os outros dois certamente vão ficar descontentes – e o que ele escolher vai dar pra ele um upgrade que vai deixá-lo mais forte para enfrentar a próxima fase e prosseguir para o próximo chefão.

Todas as fases são geradas aleatoriamente, de forma que o jogador nunca enfrente duas vezes o mesmo desafio.

Nós tivemos que migrar de plataforma durante o projeto, então para todos os efeitos esse já é o Satellite Rush 2. Estamos em um ponto onde os sistemas principais estão concluídos – mesmo que nós queiramos melhorá-los no futuro –, e adicionar conteúdo novo no jogo como inimigos, chefões, armas, objetos de cenário está ficando cada vez mais fácil.

É exatamente para isso que estamos pedindo o apoio das pessoas no Kickstarter.

………

E aí, vamos apoiar a produção nacional!? Acesse a campanha do Satellite Rush no Kickstarter e colabore com essa galera!

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E você ainda pode testar a  demo Satellite Rush e ter um gostinho do que esta por vir 😉

Saiba mais em: www.kimericlabs.com

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